E aqui estamos para dar continuidade a trama que marca o retorno de nosso grupo de RPG ,de mais de 23 anos de histórias, ao cenário de horror pessoal de Vampiro. Antes de iniciarmos nossa jogatina com o recém traduzido para o português Vampiro a máscara quinta edição, decidimos recapitular os eventos de nossas mesas passadas e do cenário de Vampiro desenvolvido pelos autores, assim escolhemos revisitar os anais da história cainita através da narrativa de Transylvânia Chronicles, As Crônicas da Transilvânia é uma crônica que se passa em 12 atos divididos entre quatro livros. Começa em 1197 e termina em 2000,abrangendo a distância da idade das trevas até as Noites Finais.
No histórico do Blog você pode encontrar a descrição de como foi nossa sessão zero e as duas sessões que narram o inicio da história. Os personagens passaram sua primeira noite em Buda-Pest e decidiram, na noite seguinte, organizar as ações que venham a concluir sua missão: Construir uma fortaleza a pedido de seus senhores e do príncipe de Klausenberg Mitru, o caçador, que por sua vez respondem ao misterioso patrono. O grupo precisa encontrar o Nosferatu Zélios, um arquiteto maçon para concluir a tarefa.
Na primeira noite os jogadores conhecem o príncipe Ventrue Vencel, que recebeu em sua corte , com propósitos de criar uma trégua entre Tzimisces e Ventrues na Transilvânia por domínio e controle, o poderoso matusalém Yorak. Os jogadores também conheceram a Lasombra Lucita e seu companheiro de viagem Anatole no canteiro de obras da fortaleza, e se hospedaram na estalagem do ouriço vermelho, um estabelecimento que fica na área nobre da cidade e recebe pessoas importantes e abastadas como hospedes. Mas a figura com quem mais os jogadores tiveram aproximação foi com o profeta louco Octávio, que previu a participação do grupo em um evento por vir. Como durante a viagem de Klausenberg para Buda-Pest estranhas sensações se apoderaram da comitiva enviada para construção da fortaleza, acreditar nas palavras de Octávio parece ser algo sensato, ou ao menos entender do que exatamente se trata suas visões, por mais que o príncipe ache Octávio um estorvo abobalhado que ele tolera na cidade, os bispos Lasombra Alfredo e Pavel não são da mesma opinião, realizando inúmeras anotações das visões de Octávio, que costuma esquecer muito do que vê e sente.Octávio, o profeta Malkaviano
Durante a segunda noite o grupo se reencontra com Octávio afim de escutar sobre suas visões e estabelecem um debate filosófico sobre as visões serem enviadas por Deus que, como no dilúvio, quer lavar o mundo da presença dos Vampiros, que nada mais são do que os pecados de Caim em forma de predadores noturnos. A tristeza toma conta de Octávio ao revelar as inúmeras atrocidades que cometeu, ainda que as vezes visse a si mesmo e aos vampiros como vitimas que não pediram para ser as amaldiçoadas criaturas da noite que agora são. Alguns, como a toreador Eliza, apontavam que viam seu estado não como uma maldição, mas como uma benção que os tornava algo melhor, superior. Em meio ao debate Baltazar, o Tzimisce, propôs estudar o sangue de Octávio, afim de tentar entender a procedência das visões que atormentam o Malkaviano. Como estudante Koldun e alquimista , Baltazar provavelmente tinha um interesse maior pelo sangue do profeta louco, mas Octávio prontamente negou-se a ceder qualquer gota de sangue sua. Baltazar então tramou um engodo para adquirir uma amostra, ele já havia conseguido material de pesquisa para seus estudos , adquirido pelo carniçal de seu companheiro de Coterie, o brujah Lucius, então para adquirir o sangue de Octávio valeu-se do poder do animalismo em seu cavalo carniçal, para que este causa-se um ferimento ao Malkaviano com uma mordida enquanto este estava distraído em conversa com os outros.
Darius e Lucius resolvem abandonar a conversa com Octávio encontrar Zélios, na noite anterior foi dito que ele estaria na corte do príncipe, então lá seria um excelente local para adquirir informações sobre o paradeiro de Zélios, e a ideia se mostrou certeira. Um dos carniçais de Vencel informou que Zélios estaria negociando na catedral de nossa Senhora com o Bispo Pavel a respeito da construção de uma nova igreja na cidade, e após a informação correram para a Catedral, local para onde a Tremere Nina e o Lasombra Demétrio já haviam se dirigido, conforme Nina havia marcado na noite anterior com seu companheiro de clã Andrei, que estava sob proteção dos bispos Lasombra. Anna, a carniçal de NIna, já havia rumado para a catedral a pedido de seu senhor para encontrar Andrei, e a dupla de cainitas é bem recebida na catedral por Andrei e pelo bispo Pavel, um rechonchudo Lasombra que utiliza vestes eclesiásticas pomposas e fala com uma etiqueta de invejar os nobres locais, e ao se apresentar sempre ergue a mão direita para que os fiéis cristãos beijem seu extravagante anel, e com Demétrio , Anna e Nina não foi diferente, porém Nina foi cautelosa em não beijar o anel e apenas cheira-lo enquanto examinava a enorme pedra preciosa que ornava a joia, verificando em seu interior um estranho liquido vermelho que se assemelhava a sangue porém parecia vivo, contorcendo-se como um prisioneiro na pedra.
Eliza entediada com as narrações desconfortáveis de fim do mundo de Octávio resolve caminhar pela cidade, visto que havia se recusado a procurar Zélios, enojada em estar com um Nosferatu, e acaba por não presenciar o estratagema de Baltazar para colher o sangue do profeta: A mordida do cavalo é perfeita, deixando uma mancha de sangue nos dentes do animal. Prontamente e de maneira teatral o Tzimisce se desculpa pelo comportamento do equino, e o Malkaviano responde sacando sua espada e direcionando um violento ataque ao cavalo. Baltazar reage imediatamente tentando aparar o golpe com sua adaga, mas Octávio parece ser um excelente esgrimista, e para deleite dos soldados humanos que acompanhavam Lucius e escoltavam os cainitas, e que mal entendiam porque estavam dando corda para um mendigo louco de Buda-Pest, o golpe acerta de maneira certeira a lombar do carniçal, levando o cavalo ao chão, ainda vivo, mas incapacitado. O olhar de desprezo e desafio de Octávio é nítido quando ele responde ao pedido de desculpas do Tzimisce: "Está desculpado."
Pavel apresenta a Demétrio ,Nina e Anna , o arquiteto Nosferatu que estava oculto nas sombras, Zélios, para felicidade de Nina que parece conseguir matar dois coelhos com uma única cajadada: Prover uma aliança com o Lasombra e encontrar Zélios. Oferecendo seus serviços e usando Demétrio como facilitador da aliança, tendo em vista que seu companheiro de coterie além de pertencer a mesma linhagem de Pavel também faz parte do clero, Nina colhe inúmeras informações de grande importância para seu futuro e do clã Tremere: Pavel e Alfredo tem reunido informações das previsões apocalípticas de Octávio e seus estudos os levaram a Andrei, o jovem Tremere enviado a Budapeste para adquirir informações sobre o poder que emana do solo da Transilvânia que atraiu o clã, ainda enquanto magos humanos da Ordem de Hermes, para aquelas terras. Andrei havia capturado um infernalista que rondava a cidade e levado aos cuidados dos bispos, Andrei falou um pouco demais a respeito de seus Zelios
estudos sobre o poder mágico do solo da Transilvânia , e o interrogatório do infernalista fez com que os Lasombra fizessem uma conexão com todas as coisas: As visões e previsões de Octávio, o poder mágico que os Tremere tem interesse e , provavelmente, um demônio que aquele infernalista adorava. Zélios também contribuiu com o quebra cabeça ao informar de outros castelos e fortalezas que circundavam a Transilvânia formando uma espécie de rede ao redor daquelas terras. Nina , que pensou que a aliança com Pavel apenas forneceria terras para atividade agrícola de um rebanho temporário para a alimentação de sua coterie, conseguiu mais do que imaginava. Neste instante, lambendo os lábios, Nina vê a chegada de Darius e Lucius, que chegavam para encontrar Zélios como informado pelo carniçal do príncipe.
Enquanto isso Baltazar tentava desesperadamente salvar seu cavalo, e ele poderia fazer isso com tranquilidade utilizando seu sangue e sua maestria com a carne no animal, mas não a vista dos soldados humanos de Lucius. Percebendo isso Andras, o brujah, consegue intimidar os oito soldados que queriam muito assistir como aqueles homens que eles escoltaram lidariam com o louco que acabara de quase matar o cavalo de um deles. Eles esperavam um conflito que viesse a diverti-los naquela fria noite, mas as ameaças de que Lucius, e o senhor de Lucius, poderiam não reagir muito bem a uma situação onde os escoltados pediam uma privacidade que lhes foi negada, eles se afastam. Com o afastamento dos homens , Baltazar derrama seu sangue na boca do cavalo e estanca o sangue utilizando-se de seus recursos, e , claro, conseguir colher o sangue de Octávio. Mark então acredita que tudo aquilo havia ido longe demais e decide retirar Octávio dali, para que eles encontrassem Eliza na cidade. Baltazar decide levar o cavalo em situação critica ao estabulo e depois rumar para a catedral de Nossa senhora para ter com os Lasombra.
Mark, ao encontrar Eliza, decide retomar a conversa filosófica que estavam tendo anteriormente. Quando Eliza revira seus olhos quanto a algumas questões que Otávio faz a ela em relação a linhagem dos Toreador, algumas ofensas ao clã da rosa, por parte do Malkaviano acontecem. Para evitar conflitos desnecessários Mark decide massagear o ego de Octávio e propor que eles fariam algo semelhante ao que os Lasombra fazem com ele, levando suas visões muito a sério e tentando decifrar o que elas querem dizer. O profeta se dá como satisfeito e eles marcam um encontro na noite seguinte, mas não sem, antes o Malkaviano afirmar que na cidade perambulam dois cainitas adoradores do demônio.
Antes de Baltazar alcançar a igreja após deixar o cavalo sob cuidados no estábulo, ele é impedido por Yorak. O velho Tzimisce pede que o acompanhe até a parte pobre da cidade, e o jovem koldun prontamente o segue. Eles chegam até uma velha cabana e adentram um porão secreto cujo interior tem suas paredes formadas por várias pessoas retorcidas que gritam em um ódio frenético sem poder se mover. Yorak revela a Baltazar que é cria do próprio Tzimisce, avisa sobre os infernalistas na cidade e inicia o jovem Koldun na busca pela transição a um estado de exaltação além da condição vampírica, exemplificando com alguns dos princípios de conhecimento da própria alquimia estudada pelo Tzimisce , aconselhando que Baltazar faça modificações em seu corpo e busque a transformação individual e adquira os valores do estudo solitário e da iluminação que este o leva. Yorak apresentou a Baltazar a via mutatis, um caminho de investigação que leva a transformação. Yorak deixa claro que a apresentação da via mutatis não é um recrutamento para seguir os caminhos que lhe foram apresentados, tudo que Baltazar provier deverá ser por escolha por vontade própria.Yorak
E assim chegamos ao fim da terceira parte do primeiro ato de Transilvânia Chronicles: As marés escuras estão subindo....